{"id":1251,"date":"2026-08-19T18:00:31","date_gmt":"2026-08-19T21:00:31","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ossos.com.br\/?p=1251"},"modified":"2026-08-19T11:04:45","modified_gmt":"2026-08-19T14:04:45","slug":"a-inteligencia-artificial-e-os-novos-desafios-da-formacao-veterinaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ossos.com.br\/en\/a-inteligencia-artificial-e-os-novos-desafios-da-formacao-veterinaria\/","title":{"rendered":"A Intelig\u00eancia Artificial e os novos desafios da forma\u00e7\u00e3o veterin\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p>No in\u00edcio de 2025, pesquisadores da Faculdade de Medicina Veterin\u00e1ria da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, divulgaram resultados promissores do emprego de Intelig\u00eancia Artificial (IA) para identificar sinais de osteoartrite em c\u00e3es por meio da an\u00e1lise automatizada de radiografias. Pouco antes, universidades europeias j\u00e1 vinham utilizando algoritmos para reconhecer altera\u00e7\u00f5es pulmonares em exames tomogr\u00e1ficos, enquanto centros de pesquisa ligados \u00e0 pecu\u00e1ria de precis\u00e3o empregavam vis\u00e3o computacional para monitorar locomo\u00e7\u00e3o, consumo alimentar e bem-estar de bovinos em tempo real. Em poucos anos, a IA deixou de ser uma tecnologia experimental para ocupar espa\u00e7o crescente na rotina da pesquisa veterin\u00e1ria e, progressivamente, tamb\u00e9m na pr\u00e1tica cl\u00ednica.<\/p>\n<p>O movimento acompanha uma tend\u00eancia observada em praticamente toda a \u00e1rea da sa\u00fade. Ferramentas capazes de processar milhares de imagens, correlacionar bases de dados cl\u00ednicos ou localizar evid\u00eancias cient\u00edficas em poucos segundos passaram a executar tarefas que antes consumiam horas de trabalho. A consequ\u00eancia mais vis\u00edvel n\u00e3o foi a substitui\u00e7\u00e3o do profissional, mas uma mudan\u00e7a profunda na forma como a informa\u00e7\u00e3o circula. Pela primeira vez, estudantes e m\u00e9dicos-veterin\u00e1rios t\u00eam acesso quase instant\u00e2neo a um volume de conhecimento imposs\u00edvel de ser assimilado apenas pela experi\u00eancia individual.<\/p>\n<p>Esse avan\u00e7o tecnol\u00f3gico, entretanto, produziu um efeito inesperado. Quanto mais acess\u00edveis se tornam as informa\u00e7\u00f5es, maior passa a ser a diferen\u00e7a entre consultar uma resposta e saber interpret\u00e1-la. Na Medicina Veterin\u00e1ria, essa distin\u00e7\u00e3o \u00e9 particularmente relevante porque o diagn\u00f3stico raramente depende de um \u00fanico dado isolado. A mesma altera\u00e7\u00e3o radiogr\u00e1fica pode assumir significados completamente distintos conforme a esp\u00e9cie, a idade, a conforma\u00e7\u00e3o anat\u00f4mica, o hist\u00f3rico cl\u00ednico ou a finalidade zoot\u00e9cnica do animal. \u00c9 justamente nesse ponto que a forma\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica preserva um papel insubstitu\u00edvel.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o deixou de ser hipot\u00e9tica. Em 2025, o Conselho Federal de Medicina Veterin\u00e1ria dedicou uma edi\u00e7\u00e3o inteira de sua revista cient\u00edfica aos impactos da Intelig\u00eancia Artificial sobre a forma\u00e7\u00e3o profissional, abordando os riscos da depend\u00eancia acr\u00edtica de algoritmos, os desafios \u00e9ticos relacionados ao uso dessas ferramentas e a necessidade de fortalecer compet\u00eancias que nenhuma plataforma consegue reproduzir: o racioc\u00ednio cl\u00ednico, a execu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica de procedimentos e a tomada de decis\u00e3o diante de situa\u00e7\u00f5es urgentes e complexas.<\/p>\n<p>A IA amplia a capacidade anal\u00edtica da profiss\u00e3o, mas tamb\u00e9m refor\u00e7a um princ\u00edpio que a acompanha desde sua origem: conhecimento te\u00f3rico e habilidade pr\u00e1tica n\u00e3o pertencem ao mesmo campo de aprendizagem. O primeiro pode ser continuamente atualizado por livros, artigos ou plataformas digitais. O segundo depende de repeti\u00e7\u00e3o, treinamento supervisionado e familiaridade progressiva com estruturas anat\u00f4micas, instrumentais e t\u00e9cnicas cir\u00fargicas.<\/p>\n<p><strong>Da pesquisa ao consult\u00f3rio veterin\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>Embora ferramentas como o Gemini, ChatGPT ou Claude tenham popularizado o tema apenas recentemente, a aplica\u00e7\u00e3o de Intelig\u00eancia Artificial no meio cient\u00edfico antecede em muitos anos o surgimento dos modelos generativos de linguagem. Desde a d\u00e9cada passada, grupos de pesquisa trabalham com algoritmos de aprendizado de m\u00e1quina para interpretar exames diagn\u00f3sticos, desenvolver modelos epidemiol\u00f3gicos e analisar grandes bases de dados relacionadas \u00e0 sa\u00fade animal.<\/p>\n<p>Na Universidade da Calif\u00f3rnia, por exemplo, pesquisadores v\u00eam utilizando modelos computacionais para identificar altera\u00e7\u00f5es em exames de imagem ortop\u00e9dicos e tor\u00e1cicos. Na Universidade de Cambridge, estudos envolvendo vis\u00e3o computacional analisam padr\u00f5es de locomo\u00e7\u00e3o em bovinos leiteiros para detectar precocemente sinais de claudica\u00e7\u00e3o, uma das principais causas de perdas econ\u00f4micas na pecu\u00e1ria mundial. J\u00e1 centros ligados \u00e0 medicina equina empregam algoritmos capazes de reconhecer pequenas assimetrias biomec\u00e2nicas durante o deslocamento dos animais, permitindo identificar altera\u00e7\u00f5es locomotoras antes mesmo que elas se tornem percept\u00edveis \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica convencional.<\/p>\n<p>E a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica acompanha essa expans\u00e3o. Levantamento publicado na base Scopus mostra crescimento consistente do n\u00famero de artigos relacionados \u00e0 Intelig\u00eancia Artificial aplicada \u00e0 Medicina Veterin\u00e1ria ao longo da \u00faltima d\u00e9cada, abrangendo \u00e1reas como diagn\u00f3stico por imagem, patologia digital, epidemiologia, reprodu\u00e7\u00e3o animal, anestesiologia e cirurgia. Em outras palavras, a IA deixou de representar um tema restrito aos laborat\u00f3rios de inform\u00e1tica para tornar-se objeto permanente de investiga\u00e7\u00e3o dentro das pr\u00f3prias escolas veterin\u00e1rias.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica cl\u00ednica, talvez, a aplica\u00e7\u00e3o mais conhecida esteja na radiologia. Algoritmos treinados com milhares de exames conseguem destacar regi\u00f5es suspeitas de fraturas, altera\u00e7\u00f5es articulares ou les\u00f5es pulmonares, funcionando como uma segunda leitura para o m\u00e9dico-veterin\u00e1rio. A vantagem, ent\u00e3o, vai al\u00e9m da velocidade de processamento: em servi\u00e7os de grande volume, essas ferramentas ajudam a reduzir variabilidade entre observadores, chamando aten\u00e7\u00e3o para altera\u00e7\u00f5es discretas e organizando fluxos de trabalho cada vez mais complexos.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio ajuda a explicar por que a Intelig\u00eancia Artificial vem sendo apresentada como uma tecnologia de apoio, e n\u00e3o como substituta da atua\u00e7\u00e3o profissional. Um software pode indicar que determinada imagem apresenta elevada probabilidade de ruptura do ligamento cruzado cranial. O algoritmo, contudo, n\u00e3o examina a marcha do animal, n\u00e3o avalia dor \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o articular, n\u00e3o considera o hist\u00f3rico informado pelo tutor nem define qual t\u00e9cnica cir\u00fargica oferece maior benef\u00edcio para aquele paciente espec\u00edfico. E, entre reconhecer um padr\u00e3o estat\u00edstico e decidir em favor de uma conduta, existe um intervalo que continua pertencendo ao m\u00e9dico-veterin\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>O que a intelig\u00eancia artificial ainda n\u00e3o alcan\u00e7a entre o diagn\u00f3stico e o tratamento<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>A incorpora\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia artificial \u00e0 Medicina Veterin\u00e1ria trouxe ganhos evidentes para atividades relacionadas \u00e0 an\u00e1lise de informa\u00e7\u00f5es. O mesmo n\u00e3o pode ser dito sobre as etapas que dependem de julgamento cl\u00ednico, execu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e tomada de decis\u00e3o diante de situa\u00e7\u00f5es que raramente seguem o comportamento previsto pelos modelos computacionais.<\/p>\n<p>Um exemplo relativamente simples ajuda a compreender essa diferen\u00e7a. Dois c\u00e3es podem apresentar exames de imagem semelhantes, ambos compat\u00edveis com ruptura do ligamento cruzado cranial. A partir desse ponto, por\u00e9m, as semelhan\u00e7as podem terminar. Peso corporal, idade, n\u00edvel de atividade f\u00edsica, presen\u00e7a de doen\u00e7as associadas, condi\u00e7\u00e3o muscular, conforma\u00e7\u00e3o anat\u00f4mica e expectativa funcional do animal interferem diretamente na defini\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia terap\u00eautica. A interpreta\u00e7\u00e3o do exame constitui apenas uma etapa de um processo muito mais amplo, que envolve avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, planejamento cir\u00fargico e acompanhamento p\u00f3s-operat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Essa realidade se torna ainda mais evidente em \u00e1reas cir\u00fargicas. Nos \u00faltimos anos, a Medicina Veterin\u00e1ria assistiu \u00e0 expans\u00e3o de t\u00e9cnicas ortop\u00e9dicas cada vez mais sofisticadas, incluindo osteotomias corretivas planejadas digitalmente, utiliza\u00e7\u00e3o de placas bloqueadas, impress\u00e3o tridimensional para confec\u00e7\u00e3o de guias cir\u00fargicos e desenvolvimento de implantes espec\u00edficos para diferentes esp\u00e9cies e portes animais. O acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o sobre esses procedimentos tornou-se mais f\u00e1cil do que nunca. A execu\u00e7\u00e3o, entretanto, continua exigindo treinamento progressivo, compreens\u00e3o anat\u00f4mica aprofundada e dom\u00ednio t\u00e9cnico adquirido por meio da pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Aprender uma sequ\u00eancia de etapas operat\u00f3rias \u00e9 apenas parte do desafio. Em cirurgia ortop\u00e9dica, pequenas varia\u00e7\u00f5es anat\u00f4micas podem alterar completamente a condu\u00e7\u00e3o de um procedimento. A dire\u00e7\u00e3o de um acesso cir\u00fargico, a escolha do implante, o posicionamento de um parafuso ou a corre\u00e7\u00e3o de um eixo angular dependem de refer\u00eancias espaciais que dificilmente podem ser desenvolvidas apenas por meio de leitura ou observa\u00e7\u00e3o passiva.<\/p>\n<p>Essa discuss\u00e3o ganhou for\u00e7a nos \u00faltimos anos em raz\u00e3o de outro debate que ultrapassa a pr\u00f3pria Intelig\u00eancia Artificial: a expans\u00e3o do ensino remoto nas profiss\u00f5es da sa\u00fade. Em 2025, o governo federal publicou novas diretrizes restringindo a oferta integralmente a dist\u00e2ncia para cursos que exigem atividades pr\u00e1ticas presenciais, entre eles Medicina, Odontologia, Enfermagem, Medicina Veterin\u00e1ria e outras gradua\u00e7\u00f5es da \u00e1rea da sa\u00fade. A medida foi acompanhada por entidades profissionais e institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas que vinham alertando para a impossibilidade de substituir integralmente experi\u00eancias pr\u00e1ticas por atividades virtuais.<\/p>\n<p>O debate n\u00e3o se limita \u00e0 gradua\u00e7\u00e3o. Mesmo ap\u00f3s a forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria, grande parte do desenvolvimento profissional continua ocorrendo em laborat\u00f3rios, centros de treinamento, programas de aperfei\u00e7oamento e cursos voltados ao desenvolvimento de habilidades espec\u00edficas. A pr\u00f3pria evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica da Medicina Veterin\u00e1ria contribuiu para ampliar essa necessidade: quanto mais sofisticados se tornam os procedimentos, maior tende a ser a demanda por ambientes que permitam treinamento seguro antes da aplica\u00e7\u00e3o cl\u00ednica.<\/p>\n<p><strong>O que muda na forma\u00e7\u00e3o dos novos profissionais<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_1253\" aria-describedby=\"caption-attachment-1253\" style=\"width: 1080px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1253 size-full\" src=\"https:\/\/blog.ossos.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/OO.jpeg\" alt=\"\" width=\"1080\" height=\"763\" srcset=\"https:\/\/blog.ossos.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/OO.jpeg 1080w, https:\/\/blog.ossos.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/OO-300x212.jpeg 300w, https:\/\/blog.ossos.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/OO-1024x723.jpeg 1024w, https:\/\/blog.ossos.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/OO-768x543.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1253\" class=\"wp-caption-text\">Atualmente, o mercado brasileiro j\u00e1 conta com ferramentas inovadoras que contribuem para o aprimoramento do ensino e do processo de aprendizagem.<\/figcaption><\/figure>\n<p>O avan\u00e7o da IA tem produzido uma transforma\u00e7\u00e3o no perfil de compet\u00eancias valorizadas pelo mercado veterin\u00e1rio. Durante d\u00e9cadas, parte importante da forma\u00e7\u00e3o esteve associada \u00e0 capacidade de memorizar informa\u00e7\u00f5es e acumular conhecimento t\u00e9cnico. Hoje, quando artigos cient\u00edficos, protocolos cl\u00ednicos e bases de dados podem ser acessados em segundos, outras habilidades passam a ganhar relev\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Diversas escolas veterin\u00e1rias internacionais j\u00e1 discutem como preparar profissionais para um cen\u00e1rio em que a informa\u00e7\u00e3o est\u00e1 amplamente dispon\u00edvel, mas a interpreta\u00e7\u00e3o continua dependendo da experi\u00eancia e do olhar do ser humano. Relat\u00f3rios produzidos pela American Veterinary Medical Association (AVMA) e por institui\u00e7\u00f5es ligadas ao ensino veterin\u00e1rio europeu apontam para uma valoriza\u00e7\u00e3o crescente do racioc\u00ednio cl\u00ednico, da capacidade de integrar informa\u00e7\u00f5es provenientes de diferentes fontes e da tomada de decis\u00e3o em ambientes complexos. Na pr\u00e1tica, o diferencial competitivo deve deixar de estar apenas no acesso ao conhecimento e passar\u00e1 a residir na capacidade de utiliz\u00e1-lo adequadamente.<\/p>\n<p>Essa mudan\u00e7a produz reflexos diretos sobre a educa\u00e7\u00e3o veterin\u00e1ria. Se algoritmos conseguem resumir artigos, localizar evid\u00eancias e sugerir hip\u00f3teses diagn\u00f3sticas, torna-se ainda mais importante desenvolver compet\u00eancias que dependam de experi\u00eancia pr\u00e1tica. A familiaridade com estruturas anat\u00f4micas, por exemplo, continua sendo um requisito fundamental para quem pretende atuar em cirurgia, ortopedia, odontologia veterin\u00e1ria ou diagn\u00f3stico por imagem. O mesmo ocorre com habilidades relacionadas \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o de tecidos, planejamento de procedimentos e execu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica de interven\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas.<\/p>\n<p>Por essa raz\u00e3o, observa-se um crescimento consistente de metodologias que aproximam teoria e pr\u00e1tica durante a forma\u00e7\u00e3o. Simuladores, laborat\u00f3rios de habilidades, modelos anat\u00f4micos e prot\u00f3tipos desenvolvidos para treinamento v\u00eam sendo incorporados por universidades e centros de ensino em diferentes pa\u00edses. A proposta n\u00e3o consiste em substituir a experi\u00eancia cl\u00ednica, mas criar oportunidades para que estudantes e profissionais desenvolvam seguran\u00e7a, coordena\u00e7\u00e3o motora e compreens\u00e3o espacial antes do contato com situa\u00e7\u00f5es reais.<\/p>\n<p>A l\u00f3gica \u00e9 semelhante \u00e0 observada em outras \u00e1reas de alta complexidade. Pilotos treinam em simuladores antes de assumir aeronaves comerciais. Cirurgi\u00f5es utilizam modelos para aperfei\u00e7oar t\u00e9cnicas antes de incorpor\u00e1-las \u00e0 rotina. Em Medicina Veterin\u00e1ria, esse movimento acompanha a crescente sofistica\u00e7\u00e3o dos procedimentos diagn\u00f3sticos e terap\u00eauticos dispon\u00edveis.<\/p>\n<p><strong>Tecnologia e treinamento seguem o mesmo caminho<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0 primeira vista, Intelig\u00eancia Artificial e forma\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica podem parecer temas pertencentes a universos distintos. Na realidade, ambas representam respostas complementares ao mesmo desafio: lidar com uma quantidade crescente de conhecimento cient\u00edfico e transform\u00e1-lo em decis\u00f5es seguras para os pacientes.<\/p>\n<p>A tecnologia amplia a capacidade de an\u00e1lise. Algoritmos conseguem processar informa\u00e7\u00f5es em escala imposs\u00edvel para qualquer profissional individualmente. O treinamento pr\u00e1tico continua sendo o espa\u00e7o onde conhecimento te\u00f3rico, racioc\u00ednio cl\u00ednico e habilidade t\u00e9cnica se encontram. \u00c9 nesse ambiente que o futuro m\u00e9dico-veterin\u00e1rio aprende a interpretar estruturas anat\u00f4micas, desenvolver percep\u00e7\u00e3o espacial, compreender rela\u00e7\u00f5es biomec\u00e2nicas e executar procedimentos que exigem precis\u00e3o.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio que se desenha para os pr\u00f3ximos anos n\u00e3o aponta para uma disputa entre Intelig\u00eancia Artificial e experi\u00eancia humana. O que se observa \u00e9 uma integra\u00e7\u00e3o progressiva entre ferramentas digitais cada vez mais sofisticadas e processos formativos que valorizam compet\u00eancias pr\u00e1ticas. \u00c0 medida que a tecnologia avan\u00e7a, cresce tamb\u00e9m a necessidade de profissionais capazes de interpretar criticamente as informa\u00e7\u00f5es que ela produz.<\/p>\n<p>Recursos educacionais voltados ao treinamento anat\u00f4mico e ao desenvolvimento de habilidades t\u00e9cnicas assumem papel estrat\u00e9gico na forma\u00e7\u00e3o veterin\u00e1ria contempor\u00e2nea. A aprendizagem n\u00e3o acontece apenas diante da tela de um computador ou por meio do acesso a bases de dados. Ela tamb\u00e9m se constr\u00f3i pela observa\u00e7\u00e3o direta das estruturas, pela repeti\u00e7\u00e3o de procedimentos e pela experi\u00eancia acumulada ao longo do treinamento.<\/p>\n<p><strong>Conhe\u00e7a as solu\u00e7\u00f5es educacionais da Nacional Ossos<\/strong><\/p>\n<p>A Nacional Ossos desenvolve modelos anat\u00f4micos, prot\u00f3tipos de fraturas, deformidades e solu\u00e7\u00f5es voltadas ao treinamento de estudantes, residentes, professores e profissionais da \u00e1rea da sa\u00fade. Utilizados em universidades, cursos de capacita\u00e7\u00e3o e programas de educa\u00e7\u00e3o continuada, esses recursos contribuem para o estudo da anatomia, o planejamento de procedimentos e o desenvolvimento de habilidades pr\u00e1ticas fundamentais para a atua\u00e7\u00e3o cl\u00ednica e cir\u00fargica.<\/p>\n<p>Conhe\u00e7a o cat\u00e1logo da Nacional Ossos e descubra como nossos modelos podem apoiar a forma\u00e7\u00e3o de profissionais preparados para atuar em um cen\u00e1rio cada vez mais tecnol\u00f3gico, sem abrir m\u00e3o da experi\u00eancia pr\u00e1tica que continua sendo a base das decis\u00f5es cl\u00ednicas de qualidade.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/ossos.com.br\/?srsltid=AfmBOoouFCYsHRORkx-Qwlz3x8b9lY4sKA0RZB3c13Ipmn5ukWFJ8iIK\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1239 size-full\" src=\"https:\/\/blog.ossos.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-07-21-at-10.40.39.jpeg\" alt=\"\" width=\"1283\" height=\"275\" srcset=\"https:\/\/blog.ossos.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-07-21-at-10.40.39.jpeg 1283w, https:\/\/blog.ossos.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-07-21-at-10.40.39-300x64.jpeg 300w, https:\/\/blog.ossos.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-07-21-at-10.40.39-1024x219.jpeg 1024w, https:\/\/blog.ossos.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-07-21-at-10.40.39-768x165.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1283px) 100vw, 1283px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No in\u00edcio de 2025, pesquisadores da Faculdade de Medicina Veterin\u00e1ria da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, divulgaram resultados promissores do emprego de Intelig\u00eancia Artificial (IA) para identificar sinais de osteoartrite em c\u00e3es por meio da an\u00e1lise automatizada de radiografias. 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